Fracturas

Assuntos de doenças e curas possiveis.

Fracturas

Mensagempor Ana Paula em Sáb Jan 16, 2010 11:59 pm

No Velho Oeste, um cavalo que tivesse uma perna partida poderia passar os últimos segundos de vida na mira da arma de um cowboy. Infelizmente, nos dias de hoje, esses animais ainda são geralmente sacrificados após sofrerem esse tipo de lesão, pois têm pouquíssimas possibilidades de ter uma recuperação bem-sucedida.
A cura da perna de um cavalo é difícil devido a uma combinação de factores. As suas pernas devem absorver um impacto considerável, já que o seu corpo pesado galopa em alta velocidade. Os cavalos praticam bastante actividade física, o que pode levar à deterioração dos ossos da perna e a um risco maior de queda. Outra coisa a ser considerada é a quantidade de ossos que eles têm na perna. Dos 205 que formam o corpo todo de um cavalo, 80 ficam nas pernas. O complexo sistema de articulações, ossos, ligamentos, tendões, cartilagem, lubrificante, lâminas e cascos, que contribui para a sua incrível velocidade, também pode ser a causa de sua queda. Além disso, entre 60 e 65% do peso de um cavalo concentram-se nas suas pernas dianteiras - é por esse motivo que a maioria das lesões ocorre nelas.
Muitos problemas podem afectar as pernas dos cavalos, como inflamação, osteoartrite, problemas nas articulações, doenças e, naturalmente, ossos partidos. A recuperação é mais complicada porque os cavalos não podem ficar deitados o tempo todo. Eles foram feitos para permanecer em pé a maior parte do tempo, inclusive enquanto dormem. Por serem possíveis presas, devem estar prontos para correr o mais rápido possível, motivo pelo qual ficam na ponta dos dedos (dos cascos).
Embora os cavalos ainda sejam sacrificados com frequência após fracturarem uma perna, o procedimento, hoje em dia, geralmente é realizado de uma maneira mais humana, com uma injecção intravenosa de barbiturato, administrada por um veterinário. E não são só os cavalos de corrida que sofrem lesões nas pernas. Os poneis também. Além de coices e quedas, acidentes simples, como pisar em falso, podem causar fracturas e lesões sérias. Fadiga e a estrutura musculoesquelética do próprio cavalo também podem ser factores determinantes. Problemas pré-existentes difíceis de diagnosticar, como tendões distendidos, fracturas e microfracturas, também podem contribuir para a fractura dos ossos.


Se o pior acontecer e o cavalo partir uma perna, existem vários factores que ajudam a determinar se um veterinário será capaz de curar a perna partida e fazer o animal voltar a ser saudável.
Algumas perguntas que o dono de um animal lesionado precisa fazer são:

Qual é a gravidade da fractura?
O tipo de fractura faz uma grande diferença no momento de determinar se o cavalo conseguirá se recuperar com êxito. Por exemplo, na fractura incompleta, o osso racha, mas não se quebra totalmente. Ela é mais fácil de ser tratada do que uma fractura completa, que pode resultar na fragmentação do osso. Muitos cavalos com fracturas incompletas conseguem se recuperar. Lesões extensas e múltiplas fracturas estão mais ligadas a uma possível necessidade de eutanásia. Se os fragmentos dos ossos saem ou não pela pele, é outro factor a ser levado em conta, pois a sua exposição pode aumentar a possibilidade de complicações.

Que idade tem o cavalo?
Cavalos mais jovens geralmente têm mais possibilidade de se recuperar de uma perna partida porque os seus ossos ainda estão em desenvolvimento. Esses cavalos normalmente são mais leves e colocam menos peso sobre a lesão.

Onde é a fractura?
O sucesso da cura varia conforme a parte da perna em que o osso partiu. Por exemplo, uma fractura na parte inferior pode ser difícil de tratar porque os cavalos apresentam menos vasos sanguíneos nesse local. O processo de recuperação pode levar ainda mais tempo se a fractura ocorrer num dos ossos maiores do animal.


"Mesmo que a cura da perna partida de um cavalo seja difícil, por que não deixar que a natureza decida se ele deve viver ou não?".
Parte da resposta é que pode haver muita dor envolvida no processo de reabilitação. Algumas pessoas acham que o sacrifício do animal é mais humano do que deixá-lo viver e sofrer.
Dificilmente se consegue salvar a vida de um cavalo apenas amputando a perna partida. Os cavalos não são como os cães, que conseguem ter uma vida razoavelmente activa com três patas. Eles são mais pesados e esse peso pode causar problemas para os outros cascos. Infelizmente, poucos cavalos conseguem adaptar-se a próteses. Os cavalos devem gozar de boa saúde geral, serem capazes de se adaptar a novas situações e terem um dono que esteja disposto a gastar o seu tempo e dinheiro nos tratamentos para acompanhamento do processo de colocação de uma prótese.
O tratamento de uma perna partida pode apresentar muitas complicações.
Aqui vão exemplos de alguns problemas que podem afectar a recuperação:


Peso: os cavalos, em geral, são animais pesados e as suas pernas e cascos, pequenos, em comparação com o seu peso total. O apoio de uma perna partida normalmente força as pernas saudáveis a suportarem mais peso do que deveriam e isso - somado a outros factores - pode aumentar as chances de desenvolvimento de problemas incapacitantes, como laminite e abscessos. A causa exacta da laminite (uma doença inflamatória do material que liga o casco ao osso da perna, que pode levar ao seu descolamento) é desconhecida, mas a dor causada por ela aumenta muito a probabilidade de eutanásia. As faixas que são colocadas sob o abdómen e que mantêm o cavalo erguido (tirando o peso das pernas) são geralmente usadas por curtos períodos de tempo, mas não conseguem prevenir a laminite. As faixas podem ser desconfortáveis, causar excesso de pressão localizada e levar a sérios problemas gastrointestinais. Se a faixa é usada por muito tempo, a perna curada não consegue suportar o peso do cavalo devidamente e a laminite ainda pode ocorrer. O peso de um cavalo deve ser igualmente distribuído nas quatro pernas.


Movimento:os cavalos são animais que gostam de se movimentar e há um grande risco de se magoarem novamente em algum momento durante o processo de cicatrização. Um cavalo mais tranquilo, que não se importa de ter os movimentos limitados, geralmente tem mais chance de se curar adequadamente.


Infecção: as fraturas expostas normalmente complicam-se devido às infecções, que podem ser mais graves, dependendo do local onde ocorrem. Como os cavalos não têm músculos abaixo das articulações do jarrete (semelhante ao tornozelo humano), não há muitos vasos sanguíneos para conduzir anticorpos ao local da infecção, dificultando assim o tratamento. Esse facto também dificulta a administração de antibióticos. Dar ao animal quantidade suficiente de antibiótico para ser eficaz, pode matar os microorganismos intestinais naturais do cavalo e influenciar a acção de importantes analgésicos.


Dor: o controle da dor é uma faca de dois gumes quando se trata de cavalos. Ela certamente precisa ser tratada, mas corre-se o risco de medicar o cavalo em excesso. Se o animal não sentir dor alguma, há uma grande chance de lesionar novamente a perna. A gravidade da dor das complicações pós-operatórias comuns, como a laminite, é a base da decisão para a eutanásia.


Custo: o longo e complicado processo de tratamento do cavalo pode ser caro e não ter garantia de que funcionará. Além do custo elevado, a reabilitação pode ser comprometida pela falta de instalações disponíveis que possam tratar cavalos com lesões graves e pela falta geral de conhecimento.


Por enquanto, a cura ainda parece distante.
:salut:
Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo.
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Ana Paula
 
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